sábado, 8 de outubro de 2011


Estado Palestino – Dívida histórica

Sem uma solução para o povo da Palestina, não haverá uma solução de segurança para o povo de Israel.” Dilma Rousseff

Nunca antes a presidente de um país (Dilma Rousseff) mostrou-se tão impactante na defesa do ingresso pleno da Palestina na comunidade de nações. Aconteceu na última (2011) assembléia Ge­ral da Organização das Nações Unidas (ONU). Constituiu-se um ato corajoso e perfeitamente coerente com a posição histórica e política do Brasil quando re­conheceu o Estado Palestino, respeitando-se as fronteiras anteriores às da Guerra dos Seis Dias, em 1967, corroborando as resoluções das Nações Unidas da época.

Tal pronunciamento repercutiu como um verdadeiro apoio estratégico ao pedido de ingresso da Palestina  à ONU, como Estado pleno, feito por Mahmoud Abbas, presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina).

De imediato, os EUA reagiram criticando o pedido de Abbas, com o argumento que tal decisão é incoerente com outro pedido em curso, que ainda está sob análise do Conselho de Segurança (e se depender deste condômino plenipotenciário da ONU – eles são responsáveis por 22% do orçamento da agência da ONU -, a análise continuará indefinidamente). 

Como era de esperar, Israel, gestor dos interesses norte-americanos no Oriente Médio, também discordou, argumentando tratar-se de uma "rejeição ao caminho das negociações, assim como ao plano do Quarteto para continuar o processo político” de tentativa de resolver o enfrentamento israel-palestino, referindo-se às intermináveis negociações de Paz que, paradoxalmente, sempre estão conduzindo a mais Guerra – porque, na verdade, não interessa a Israel e aos EUA acabar o conflito porque só terão a perder.

Na verdade, a defesa da criação de um Estado Palestino, é uma posição assumida por milhares de cidadãos em todo o mundo que estão mobilizados nessa cruzada.

 UNESCO, uma pedra no caminho

A segurança será sempre precária onde houver o clamor dos oprimidos”. Ulysses Silveira Guimarães, político, PMDB-SP, 1916-1992

E eis que surge a UNESCO - Organização das Na­ções Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – recomendando a admissão da Palestina na ONU co­mo Estado-membro de ple­no direito. A recomendação foi apoiada por 40 dos 58 membros do Comitê Executivo.

Outra vez, Israel criticou violentamen­te a recomendação afirmando que a mesma é "contrária ao plano de paz" (Pergunto: Qual plano de paz? Aos dos desdobramentos sem fim que alimentam a guerra, enquanto Israel persiste  ocupando territórios  e  mantendo o odioso bloqueio a Gaza?).  Pedidos para parar assentamentos não são razoáveis”, diz Avigdor Lieberman, ministro israelense das Relações Exteriores, tentando justificar a insistência de seu país em manter a expansão de colônias em Jerusalém Oriental. Pergunto: Não são razoáveis para quem?

Washington, que declarou antecipadamente o seu veto ao pedido palestino de ingressar na ONU - EUA, Rússia, China, França e Reino Unido detêm o poder de veto no conselho - mostrou indignação frente à decisão da UNESCO, classificada também como "incoerente" (!?). Pior é que eles podem retirar seu financiamento à instituição como represália. 

Como tudo começou?

Para concluir esta compilação, faço minhas as palavras da articulista de A Tarde, Tânia Miranda, historiadora, mestre em educação.

Que nossas vozes cheguem a todos os recantos do planeta, multiplicando e amplificando a consciência de que a construção de um novo mundo só é possível com o respeito à soberania das nações e à autodeterminação dos povos, condição para uma vida de paz e liberdade.

A Palestina já esteve sob ocupação inglesa de 1914 a 1947. Nesse ano, as potências mundiais impuseram aos palestinos a divisão de seu território pela ONU: 57% para os judeus (hoje são 78%) e 43% para os palestinos (hoje são 22%), sendo que 70% da população era constituída de nativos palestinos e 30%   judeus - na sua maioria imigrantes recém-chegados.

O Estado Palestino é a afirmação do direito de um povo que foi erradicado de suas terras ancestrais, que tem resistido de forma altiva e heróica às covardes agressões, à negação do seu próprio direito de existir, à prisão de suas crianças, mulheres e idosos que ousaram se levantar contra a política de assalto ao seu território, ao roubo de sua  água, à destruição das suas casas e à devastação de suas oliveiras milenares. Já é passada a hora de a comunidade das nações assumir a responsabilidade e se engajar no equacionamento desse conflito.     

Esperamos que o reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação se sobreponha aos privilégios feudais, aos grandes negócios petrolíferos, aos superlucros da indústria bélica, aos controles estratégicos dos mares, a todo o complexo de exploração e dominação da região, ampliando as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. É uma questão de humanidade.”



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